Pois bem, um espirito sai do corpo e, simplesmente dá uma olhada no mundo, e o que ele vê? Muita gente e, que Deus os abençoe, as pessoas adoram a ideia de poder simplesmente sair da casca terrena, flutuar um pouco e ver as coisas de cima. Chamam isso de experiência "fora do corpo" e juram que é um grande e velho mistério, um sussurro do além.
Ora, alguns caras espertos, aqueles que passam os dias cutucando cérebros com pequenos palitos e fios, dirão que não passa de um truque da velha cabeça, uma pequena oscilação nas ondas cerebrais, como uma corda de violino solta. Dizem que seu hábito diário de se olhar no espelho, se ver como uma coisa separada, bem, isso é apenas o cérebro praticando seu truque mais profundo a percepcao de individualidade. E quando você toma um pouco daquele remédio estranho, aquele do tipo que faz o mundo girar, seu cérebro fica um pouco confuso e pensa que você realmente perdeu o controle. Dizem que é tudo uma questão de como você vê as coisas, como uma abelha que vê uma flor de uma cor para a qual não temos palavras. Sempre há uma maneira simples e sensata de encarar um fato, mesmo que não seja tão emocionante quanto uma história de fantasma.
Veja bem, isso não quer dizer que não haja algo de especial nessa história de "vida após a morte". Mas essa frase não soa um pouco peculiar? "Vida após a morte". É como dizer "café da manhã depois do jantar". Faz a gente coçar a cabeça e se perguntar se não estamos apenas inventando palavras para corresponder às nossas esperanças.
Aí você tem esses outros argumentos grandiosos, do tipo que faz a gente se sentir como se estivesse preso em um galinheiro com uma dúzia de galinhas cacarejando. Num minuto, você ouve que "socialismo é o mesmo que nazismo e comunismo, tudo em uma bola grande e feia", e isso dá um poderoso impulso às pessoas que gostam de se chamar de "monstros capitalistas". Este mundo é uma grande e velha mistura de ideias, uma disputa constante sobre o que é verdade e o que não é, o que é visto e o que é apenas imaginado.
Veja os charutos, por exemplo. Simples como o traseiro de uma vaca, eles vão te matar. Mas também vão matar aqueles "esteroides" que dão para as galinhas e vacas, que devoramos todos os santos dias. O pior, dizem eles, está nos vegetais, o que só mostra que não se pode confiar em nada verde. Mas chamamos isso de crime? Não, é apenas "interesse", entende? O interesse em alimentar o máximo de bocas possível, custe o que custar. E assim, as pessoas que argumentam contra isso vivem uma vida grandiosa e confortável, como aqueles velhos filósofos franceses, só conversa e sem sujeira de verdade sob as unhas.
E a poluição, bem, está matando o planeta, dizem eles. Mas aí você olha para aquelas páginas grandiosas da internet e o que vê estampado nelas? Propagandas de carros novos e brilhantes! Dois cânceres andando de mãos dadas, o motorista e o carro, ambos fumando. Então, julgar alguém por dar uma tragada num cigarro ou um gole de uísque, bem, isso não vem ao caso, não é?
Às vezes, fico pensando: "a grande tragédia está chegando". E se chegar, é só esperar. O alvoroço, o rebuliço colossal que as máquinas de propaganda farão, ligando tudo a Nostradamus e suas antigas profecias. E ninguém, nem uma única alma, vai notar que essa grande tragédia foi, primeiro, uma visão bem-vinda para alguns e, segundo, causada por pessoas construindo suas casas bem em cima de um vulcão. A natureza humana, é uma coisa muito peculiar.
E depois tem essa história de "inteligência". Se um sujeito pula de uma escada ou de um prédio, isso o torna inteligente? Nem de longe. Se ele escreve um pouco de código para organizar papéis ou preencher formulários, isso o torna um gênio? Não, isso é coisa do passado, já foi feito antes. Então, nem escrever programas sofisticados nem ficar batendo as gengivas tornam um corpo verdadeiramente inteligente. É apenas o que está martelando na memória deles e o que eles escolhem fazer com isso.
Ora, isso faz a gente se perguntar, não é? A grande marcha do progresso humano, de fato. Parece que nossa maior inteligência, o ápice da nossa engenhosidade, muitas vezes se volta para as demandas mais peculiares e proveitosas, por mais insignificantes que pareçam a um filósofo de mente elevada. Faz você refletir sobre as direções peculiares que nossa inteligência toma, e o espetáculo grandioso e desconcertante de tudo isso, onde o sublime e o absolutamente mundano dançam juntos.
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